
Montagem na exposição Histórias da ecologia, MASP, Sao Paulo, Agosto de 2025
Descida da terra/o trabalho das águas é um estudo visual e de dados sobre o evento das enxurradas no Rio Grande do Sul em 2023 e 2024, que levaram à inundação de gigantescas áreas ao longo e no estuário de rios, arroios, lagos e lagoas, à remoção forçada de várias pessoas de suas casas (totalizando 650 mil pessoas afetadas em 2024). O impacto das chuvas afetou no mínimo as três maiores bacias hidrográficas do estado, gerando um impacto capaz de ser registrado visivelmente em satélite. A escala de impacto ambiental se torna visível inclusive do “olhar do pássaro” com inúmeras fotografias de satélite registrando as áreas inundadas e a alteração do curso dos rios.
Associado ao aumento da evaporação das águas do oceano no contexto da mudança climática, o desmatamento de áreas de mata ciliar e o aumento da exploração agrícola e silvícola tem literalmente arrancado terra de imensas áreas, transportando o solo em sua composição complexa de minerais e materiais vegetais. O impacto das chuvas e das enchentes vem remodelando a superfície fina onde se desenvolve a imensa maioria das atividades e do modo de vida humano, arrasando cidades, destruindo casas, interrompendo infraestrutura, assoreando rios e conduzindo poluentes a lugares imprevisíveis. Na instalação “A Descida da Terra/O Trabalho das Águas” visitantes podem literalmente entrar debaixo dessa terra que desliza, ou desse mapa inacabado, insuficiente, em movimento. Mapa que simula, também, um papel rompido pelas águas, ou resiliente à sua fluidez e força. Hidrocartografia.
A instalação pretende estimular sensações e experiências diversas, como aproximar-se e conhecer de perto a lama, o lodo, os detritos,… e também aproximar-se das águas experimentando permanecer naquele lugar de onde somos expulsos (não somos peixes, não sabemos respirar sob as águas). A imagem instalada suspensa permite imaginar a terra por baixo, conhecer números, detalhes, volumes (de terra, de água) e, talvez, assustar-se com a dimensão cartográfica (o olho do pássaro) que vê por nós, aquilo que de nossa pequenez humana não temos capacidade de ver na totalidade.
Adicionais da ficha técnica:
Desenho de pictogramas: Lauren Catarina Bengochêa de Araújo Com fotografias adicionais de Isabelle Rieger e Agência Brasileira de Comunicação (diversos fotógrafos).
Fontes de dados: IPH/UFRGS, MapBiomas, Observatório Florestal, ClimaInfo.
Agradecimentos: Ana Luiza Matte, Camila Leichter, Hannah T. Jones, Lucas S. Icó, Luciano Marquetto, Manuela Zechner, Paul Schweizer.
Exposição Histórias da Ecologia, curadoria de Isabelle Rjelle e André Mesquita.
Agosto 2025 a Fevereiro de 2026.
Trabalho comissionado pelo MASP.