{"id":101,"date":"2017-04-03T15:18:26","date_gmt":"2017-04-03T18:18:26","guid":{"rendered":"https:\/\/cristinaribas.org\/escritos\/?p=101"},"modified":"2018-10-17T19:52:31","modified_gmt":"2018-10-17T22:52:31","slug":"cartografiadecomplexidade","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/cristinaribas.org\/escritos\/cartografiadecomplexidade\/","title":{"rendered":"Complexidade, Cartografia de"},"content":{"rendered":"<p>{resumo} <\/p>\n<p>A no\u00e7\u00e3o de complexidade emerge no trabalho de Felix Guattari relacionada \u00e0 sua produ\u00e7\u00e3o de cartografias esquizoanal\u00edticas (GUATTARI, 2013). A complexidade como conceito pode ser pensada da mesma maneira que as cartografias esquizoanal\u00edticas, ambos conceitos s\u00e3o gerativos e servem n\u00e3o apenas para entender, mapear e analisar mas tamb\u00e9m para incitar, inventar, criar, modular processos. O conceito de complexidade, junto com a an\u00e1lise de Guattari de modos de subjetiva\u00e7\u00e3o no capitalismo contempor\u00e2neo \u00e9 muito \u00fatil para entender pol\u00edticas de subjetiva\u00e7\u00e3o (ROLNIK, 2010) implicadas em modos de produ\u00e7\u00e3o contempor\u00e2neos, seja no campo das artes, da cl\u00ednica, dos movimentos sociais e outros. Neste artigo eu discuto o trabalho de coletivos, grupos, projetos de pesquisa que t\u00eam usado a cartografia de complexidade para trabalhar processos na tens\u00e3o micro-macropol\u00edtica. Eu argumento neste artigo como processos cartogr\u00e1ficos s\u00e3o constitutivos dos cart\u00f3grafos-pesquisadores eles mesmos, interferindo portanto na dicotomia que separa pesquisador do objeto de pesquisa. A cartografia opera como ferramenta militante e micropol\u00edtica, realizando a an\u00e1lise dos fluxos do poder e do capital, ao mesmo tempo em que atua como ferramenta constitutiva de processos de subjetiva\u00e7\u00e3o, em seus processos de singulariza\u00e7\u00e3o na resist\u00eancia \u00e0 diversas opress\u00f5es.<\/p>\n<p>{da introdu\u00e7\u00e3o}<\/p>\n<p><strong>Ressalva <\/strong><\/p>\n<p>A cartografia de complexidade quando aplicada na composi\u00e7\u00e3o de territ\u00f3rios, na apresenta\u00e7\u00e3o de mapeamentos, na cria\u00e7\u00e3o de planos diversos, na cria\u00e7\u00e3o de novos signos que desviam das significa\u00e7\u00f5es dominantes \u00e9 tamb\u00e9m uma destrui\u00e7\u00e3o. Quando dizemos cartografia funcionando como ferramenta de composi\u00e7\u00e3o de lutas de resist\u00eancia, devemos considerar tamb\u00e9m a fun\u00e7\u00e3o destruidora das cartografias. A \u201ccogni\u00e7\u00e3o criativa\u201d (KASTRUP, 2008) trabalhada a partir dos m\u00e9todos cartogr\u00e1ficos n\u00e3o \u00e9, portanto, meramente acumulativa. Ela opera por meio de processos e modos de semiotiza\u00e7\u00e3o que al\u00e9m de sele\u00e7\u00e3o, edi\u00e7\u00e3o, desenho, tamb\u00e9m realiza cortes, apagamentos, destrui\u00e7\u00f5es. <\/p>\n<p><strong>Complexidade como um conceito <\/strong><\/p>\n<p>De que maneira a cartografia trabalha processos de singulariza\u00e7\u00e3o ao mesmo tempo em que realiza uma an\u00e1lise do sistema econ\u00f4mico e pol\u00edtico que \u00e9 necess\u00e1rio enfrentar? Neste texto investigo a no\u00e7\u00e3o de complexidade como conceito acess\u00f3rio para produzir e analisar processos e projetos que desenvolvem mapas e cartografias, sejam eles mais dedicados ao mapeamento dos fluxos do capital ou \u00e0 emerg\u00eancia de resist\u00eancias aos efeitos desses fluxos. Investigo ent\u00e3o o trabalho da complexidade como conceito que corrobora nas pol\u00edticas de subjetiva\u00e7\u00e3o que os m\u00e9todos cartogr\u00e1ficos mobilizam. O campo te\u00f3rico e pr\u00e1tico s\u00e3o as cartografias esquizoanal\u00edticas desenvolvidas por Felix Guattari<\/span><\/span><sup><a class=\"sdfootnoteanc\" href=\"#sdfootnote1sym\" name=\"sdfootnote1anc\">1<\/a><\/span><\/span><\/sup> como processos cartogr\u00e1ficos operam processos de singulariza\u00e7\u00e3o ao mesmo tempo em que produzem uma an\u00e1lise dos contextos econ\u00f4micos e pol\u00edticos nos regimes de austeridade do capitalismo contempor\u00e2neo, aos quais \u00e9 necess\u00e1rio resistir. S\u00e3o mat\u00e9ria deste texto o capitalismo contempor\u00e2neo, as lutas de resist\u00eancia \u00e0s subjetiva\u00e7\u00f5es capital\u00edsticas e as pol\u00edticas de subjetiva\u00e7\u00e3o e singulariza\u00e7\u00e3o das lutas elas mesmas.<\/p>\n<p>A no\u00e7\u00e3o de complexidade emerge no trabalho de Felix Guattari relacionada \u00e0 sua produ\u00e7\u00e3o de cartografias esquizoanal\u00edticas (GUATTARI, 2013). O conceito de complexidade pode ser pensado da mesma maneira que as cartografias esquizoanal\u00edticas, ambos conceitos s\u00e3o gerativos e servem n\u00e3o apenas para entender, mapear e analisar mas tamb\u00e9m para incitar (<i>unleash<\/i>, inventar, criar, modular processos. A complexidade surge com as bifurca\u00e7\u00f5es incitadas pelos processos cl\u00ednicos no seu encontro com a micropol\u00edtica, e faz parte da heterog\u00eanese ontol\u00f3gica de Guattari. Guattari define em <i>Caosmose<\/i> (1992) que \u201ca esquizoan\u00e1lise, mais do que ir no sentido de modeliza\u00e7\u00f5es reducionistas que simplificam o complexo, trabalhar\u00e1 para sua complexifica\u00e7\u00e3o\u201d, o que ele chama de um \u201cenriquecimento processual\u201d. A esquizoan\u00e1lise e a cartografia trabalham ent\u00e3o de maneira a corroborar a \u201ctomada de consist\u00eancia de linhas virtuais de bifurca\u00e7\u00e3o e de diferencia\u00e7\u00e3o\u201d (GUATTARI, 1992, pp. 90-91) em processos de subjetiva\u00e7\u00e3o. Essa proposta diagram\u00e1tica (e n\u00e3o program\u00e1tica) de Guattari n\u00e3o quer levar sujeitos concretos a bloqueios reais, expondo suas vidas a um caos que os imobiliza, mas quer incitar \u201ccaosmoses\u201d. Aquilo que nos imobiliza, por sua vez, s\u00e3o os processos de subjetiva\u00e7\u00e3o capital\u00edsticos, que exaurem nossa pot\u00eancia de desejo, pr\u00e9-significando nossos fluxos produtivos dentro da normatividade do capital (subsun\u00e7\u00e3o da arte, subsun\u00e7\u00e3o da pol\u00edtica, subsun\u00e7\u00e3o da cl\u00ednica, subsun\u00e7\u00e3o da cartografia \u2013 tudo a servi\u00e7o de uma reprodu\u00e7\u00e3o social colada ao significante capital\u00edstico). (&#8230;) <\/p>\n<p>Para o texto completo baixe <a href=\"https:\/\/www.academia.edu\/31510298\/Complexidade_Cartografia_de\">aqui <\/a><\/p>\n<p>Publicado originalmente na Revista Indisciplinar (UFMG), 2015<\/p>\n ","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>{resumo} A no\u00e7\u00e3o de complexidade emerge no trabalho de Felix Guattari relacionada \u00e0 sua produ\u00e7\u00e3o de cartografias esquizoanal\u00edticas (GUATTARI, 2013). 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