{"id":135,"date":"2018-04-13T16:21:33","date_gmt":"2018-04-13T19:21:33","guid":{"rendered":"https:\/\/cristinaribas.org\/escritos\/?p=135"},"modified":"2018-12-13T02:50:50","modified_gmt":"2018-12-13T04:50:50","slug":"cartografias-esquizoanaliticas-e-to","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/cristinaribas.org\/escritos\/cartografias-esquizoanaliticas-e-to\/","title":{"rendered":"Cartografias esquizoanal\u00edticas e Teatro do Oprimido: algumas passagens"},"content":{"rendered":"<p>Resumo<\/p>\n<p>Em minha tese Processos de Pesquisa, Produ\u00e7\u00e3o de Conhecimento, e Criatividade Processual: Cartografia Esquizoanal\u00edtica no Brasil parto do pressuposto de que a partir de uma interse\u00e7\u00e3o entre processos est\u00e9ticos, a cl\u00ednica e a pol\u00edtica podem ser produzidos efeitos transformativos em pr\u00e1ticas de sa\u00fade mental e cria\u00e7\u00e3o coletiva. Seguindo a perspectiva das pr\u00e1ticas esquizoanal\u00edticas, produzo uma genealogia destas pr\u00e1ticas no Brasil de maneira a explorar a articula\u00e7\u00e3o entre pesquisa e produ\u00e7\u00e3o do conhecimento em processos est\u00e9ticos tendo a \u201ccriatividade processual\u201d (Guattari) como elemento central de estudo. O teatro ou \u201cdispositivos teatrais\u201d (Pelbart, 2013) s\u00e3o abordados como m\u00e9todos poss\u00edveis para desprogramar bloqueios subjetivos no que tange \u00e0 capacidade criativa e relacional, em busca de encontrar novos modos expressivos. Percebo como o trabalho de improvisa\u00e7\u00e3o e dinamiza\u00e7\u00e3o a partir de dispositivos teatrais tais como o Teatro do Oprimido trabalha subjetiva\u00e7\u00f5es processuais e processos de significa\u00e7\u00e3o abertos, procurando compreender de que maneira o TO produz efeitos similares a uma esquizoan\u00e1lise. Parto do pressuposto de que o potencial criativo e inventivo das subjetividades contempor\u00e2neas est\u00e1 condicionado a diversas capturas, resultando em uma s\u00e9rie de bloqueios e ou numa sensa\u00e7\u00e3o de artificializa\u00e7\u00e3o da experimenta\u00e7\u00e3o est\u00e9tica. Este diagn\u00f3stico se articula a outro diagn\u00f3stico: em como a sa\u00fade mental se torna absolutamente fr\u00e1gil no contexto do capitalismo financeiro, e como \u00e9 necess\u00e1rio politizar o cuidado e a cria\u00e7\u00e3o, na emerg\u00eancia de novos modos instituintes, de novas singularidades e nas lutas minorit\u00e1rias. Como disse Augusto Boal, a \u201ccatarse dos blocos opressores\u201d (Rainbow of Desires, 1998, p. 72-73). Observo como o teatro pensado e praticado como \u201cdispositivo teatral\u201d potencializa um espa\u00e7o pl\u00e1stico e est\u00e9tico como espa\u00e7o de elabora\u00e7\u00e3o de subjetividades, de emo\u00e7\u00f5es, de bloqueios, de poss\u00edveis, em processos cartogr\u00e1ficos (de acompanhamento).<\/p>\n<p>Artigo<\/p>\n<p>Em minha tese, defendida recentemente no programa de Artes da Goldsmiths College \u2013 University of London, Processos de Pesquisa, Produ\u00e7\u00e3o de Conhecimento, e Criatividade Processual: Cartografia Esquizoanal\u00edtica no Brasil<a class=\"sdfootnoteanc\" href=\"#sdfootnote1sym\" name=\"sdfootnote1anc\"><sup>1<\/sup><\/a> parto do pressuposto de que a partir de uma interse\u00e7\u00e3o entre processos est\u00e9ticos, a cl\u00ednica e a pol\u00edtica podem ser produzidos efeitos transformativos em pr\u00e1ticas de sa\u00fade mental e cria\u00e7\u00e3o coletiva. Em minha tese, seguindo a perspectiva das cartografias esquizoanal\u00edticas (sobre as quais falarei mais adiante), produzo uma genealogia destas pr\u00e1ticas no Brasil de maneira a explorar a articula\u00e7\u00e3o entre pesquisa e produ\u00e7\u00e3o do conhecimento em processos est\u00e9ticos tendo a \u201ccriatividade processual\u201d (Guattari, 1992) como elemento central de estudo. O teatro ou \u201cdispositivos teatrais\u201d (Pelbart, 2013) s\u00e3o abordados como m\u00e9todos poss\u00edveis para desprogramar bloqueios subjetivos no que tange a capacidade criativa e relacional, em busca de encontrar novos modos expressivos. Procuro salientar como o trabalho de improvisa\u00e7\u00e3o e dinamiza\u00e7\u00e3o (Boal, 1992, 1998) a partir de dispositivos teatrais trabalha subjetiva\u00e7\u00f5es parciais, processuais e processos de significa\u00e7\u00e3o abertos em uma prolifera\u00e7\u00e3o de sentidos e semi\u00f3ticas \u2013 por isso a import\u00e2ncia das no\u00e7\u00f5es de variabilidade e transforma\u00e7\u00e3o presentes tanto em Augusto Boal, a partir do Teatro do Oprimido, assim como na filosofia da diferen\u00e7a e nas cartografias esquizoanal\u00edticas.<\/p>\n<p>Dentre os quatro estudos de caso de minha tese um deles \u00e9 o Teatro do Oprimido. Os outros s\u00e3o o Teatro Oficina, o Esquizodrama e a Companhia Teatral Ueinzz. Esta \u00faltima foi criada em um hospital dia para usu\u00e1rios de sa\u00fade mental em S\u00e3o Paulo, em 1998. Na pesquisa do doutoramento, ao colocar em rela\u00e7\u00e3o cada um dos quatro estudos de caso com uma pr\u00e1tica esquizoanal\u00edtica n\u00e3o pretendi achatar as caracter\u00edsticas de cada uma das quatro pr\u00e1ticas de teatro e drama colocando-as o vocabul\u00e1rio da esquizoan\u00e1lise, mas, ao contr\u00e1rio, olhar para suas caracter\u00edsticas espec\u00edficas, seus m\u00e9todos, seus conceitos, relacion\u00e1-las e complement\u00e1-las com o que a esquizoan\u00e1lise quer potencializar: a necessidade de operar de maneira desbloqueante naquilo que pode estar sendo cristalizado ou tornando im\u00f3veis corpos, modos, institui\u00e7\u00f5es e mais. A esquizoan\u00e1lise como falarei mais adiante quer tornar poss\u00edvel a reinven\u00e7\u00e3o dessas rela\u00e7\u00f5es, a aten\u00e7\u00e3o aos fluxos do desejo, a possibilidade de articular ficcionalidade, artificialidade e realidade; e, a partir disso, provocar uma interven\u00e7\u00e3o no real, de maneira que se possa falar na transforma\u00e7\u00e3o subjetiva e pol\u00edtica respeitando a vida, as din\u00e2micas do vivo. Em minha pesquisa de doutorado eu queria compreender de que forma dispositivos teatrais e o trabalho em grupos e de companhias de teatro hoje, com o desenvolvimento de diferentes estrat\u00e9gias, pela explora\u00e7\u00e3o das varia\u00e7\u00f5es infinitas do corpo, a improvisa\u00e7\u00e3o e a sobreposi\u00e7\u00e3o de cenas, contextos, hist\u00f3rias, narrativas, produz efeitos intensos e libertadores, como disse Augusto Boal, a \u201ccatarse dos blocos opressores\u201d (Boal, 1998, p. 72-73).<\/p>\n<p>Nesse artigo fa\u00e7o um recorte de minha pesquisa e relaciono a dinamiza\u00e7\u00e3o e a transforma\u00e7\u00e3o conceituada por Augusto Boal no Teatro do Oprimido ao trabalho da Companhia Teatral Ueinzz, sem detalhar exaustivamente m\u00e9todos do Teatro do Oprimido. Vale ressaltar que em minha pesquisa o teatro \u00e9 pensado e praticado antes como \u201cdispositivo teatral\u201d, conceito que n\u00e3o foi unicamente definido por Peter P\u00e1l Pelbart (2013), mas \u00e9 a partir dele que o utilizo. A partir da defini\u00e7\u00e3o de Pelbart, percebo que se trata da cria\u00e7\u00e3o de um dispositivos em busca de potencializar um espa\u00e7o pl\u00e1stico e est\u00e9tico como espa\u00e7o de elabora\u00e7\u00e3o de subjetividades, de emo\u00e7\u00f5es, de bloqueios, de poss\u00edveis. Pelbart (2013) conta que com o teatro ativado por Ueinzz, com esse dispositivo teatral, ou parateatral, o que est\u00e1 em jogo \u00e9 a subjetividade n\u00e3o racionalizada dos atores. O que est\u00e1 sendo levado ao palco ou performado s\u00e3o maneiras de perceber, de sentir, de vestir-se, de posicionar-se, mover-se, falar, pensar, fazer perguntas, tamb\u00e9m por escapar do olhar dos outros, e do gozo dos outros (p. 148). Pelbart ressalta que esse dispositivo \u00e9 hesitante e sempre indeciso, inconclusivo, sem apresentar promessas. Quer reverter <i>Poder sobre a vida em poder da vida<\/i> (p. 148). <sup>2<\/sup> Esse dispotitivo n\u00e3o se limita ao que ele tem de efeito est\u00e9tico, por isso Pelbart refor\u00e7a que ele varre os clich\u00e9s da loucura ou da arte mesmo, ou mesmo das rela\u00e7\u00f5es, fazendo emergir vetores diferentes, ainda desconhecidos (p. 148).<\/p>\n<div id=\"sdfootnote1\">\n<p>(&#8230;)<\/p>\n<p><span style=\"font-size: small\"><a class=\"sdfootnotesym\" href=\"#sdfootnote1anc\" name=\"sdfootnote1sym\">1<\/a> Tese defendida em 19 de Dezembro de 2016. Supervis\u00e3o de Susan Kelly. Bolsa Capes Doutorado Pleno (2012-2016). Base de dados da Goldsmiths, vers\u00e3o digital em http:\/\/tinyurl.com\/yba7496x<\/span><\/p>\n<\/div>\n<div id=\"sdfootnote2\">\n<p><span style=\"font-size: small\"><a class=\"sdfootnotesym\" href=\"#sdfootnote2anc\" name=\"sdfootnote2sym\">2<\/a> Todas as refer\u00eancias a este livro de Pelbart (2013) foram traduzidas por mim. Grifo do autor.<\/span><\/p>\n<\/div>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>Para ler o texto completo em PDF clique [<a href=\"https:\/\/wp.me\/a7SdzS-2a\">aqui<\/a>]<\/strong><\/p>\n<p>Publicado nos ANAIS do 5o. JITOU &#8211; Jornadas Internacionais do Teatro do Oprimido e Universidade. UNIRIO &#8211; Rio de Janeiro, 2017.<\/p>\n ","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Resumo Em minha tese Processos de Pesquisa, Produ\u00e7\u00e3o de Conhecimento, e Criatividade Processual: Cartografia Esquizoanal\u00edtica no Brasil parto do pressuposto de que a partir de uma interse\u00e7\u00e3o entre processos est\u00e9ticos, &hellip; <a href=\"https:\/\/cristinaribas.org\/escritos\/cartografias-esquizoanaliticas-e-to\/\" class=\"more-link\">Continuar lendo <span class=\"screen-reader-text\">Cartografias esquizoanal\u00edticas e Teatro do Oprimido: algumas passagens<\/span><\/a><\/p>\n","protected":false},"author":3,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_jetpack_memberships_contains_paid_content":false,"footnotes":"","jetpack_publicize_message":"","jetpack_publicize_feature_enabled":true,"jetpack_social_post_already_shared":true,"jetpack_social_options":{"image_generator_settings":{"template":"highway","default_image_id":0,"font":"","enabled":false},"version":2}},"categories":[1],"tags":[46,39,43,64,9,63,62],"class_list":["post-135","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-sem-categoria","tag-cartografia","tag-corpo","tag-criatividade-processual","tag-dispositivo","tag-esquizoanalise","tag-invencao","tag-teatro"],"jetpack_publicize_connections":[],"jetpack_featured_media_url":"","jetpack_shortlink":"https:\/\/wp.me\/p7SdzS-2b","jetpack_sharing_enabled":true,"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/cristinaribas.org\/escritos\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/135","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/cristinaribas.org\/escritos\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/cristinaribas.org\/escritos\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/cristinaribas.org\/escritos\/wp-json\/wp\/v2\/users\/3"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/cristinaribas.org\/escritos\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=135"}],"version-history":[{"count":4,"href":"https:\/\/cristinaribas.org\/escritos\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/135\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":187,"href":"https:\/\/cristinaribas.org\/escritos\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/135\/revisions\/187"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/cristinaribas.org\/escritos\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=135"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/cristinaribas.org\/escritos\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=135"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/cristinaribas.org\/escritos\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=135"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}