magic surveillance

pretty magic, such as things are when we are being watched. I arrived at my mum’s house and the post men came with his yellow bike.  I said ‘you do have something for me’. and he hand delivered your purple letter to me. not that he knows me, but we had a quick chat the other day. are we being watched? when you mentioned a letter, it arrived! I played with my mum that the guy delivers letters randomly, each day he picks up one, so trying to predict when something will arrive or stamp date doesn’t make any sense. gracias. te escribo pronto

verão londrino / novos caminhos

verão londrino. último dia da creche da Hannah depois de quase três anos. olhos molhados, e em pouco novos caminhos: barcelona. numa sexta feira de quase agosto é uma sensação estranha de final de ano, ao mesmo tempo que são pequenas as despedidas, de crianças tão pequenas, ainda sem muita noção do tempo, e com tanto pela frente, com tantos futuros encontros e futuras despedidas. será que dói na perspectiva dos pais porque nós temos uma espécie de bússola do já vivido (da nossa própria perspectiva do tempo) e agarramos o futuro dos nossos filhos com amor e um desejo incomensurável? acho que uma das diferenças da nossa geração de pais para as anteriores é que politizamos a existência dos nossos pequenos como parte absolutamente inseparável da nossa própria, engordando nossos discursos e nossas intensidades! (digo isso rindo, rindo como crianças fazem rir) e que venham mais e mais crianças para mudar nossas perspectivas, nossos caminhos, nossos choros tão grandes e tão pequenos. para se rebelarem contra essa apropriação de suas vidas, porque elas querem é brincar, e dançar, e gritar olé, como grita a Hannah dançando sobre a rosa dos ventos.

tai-pei noodle bar

tai-pei noddle bar em elephant & castle. foi um daqueles lugares em 2009 que eu senti que tava no meio do mundo. gente de todos os cantos, comida barata e budas dourados. a primeira vez que eu fui já sai com aquela nostagia de nunca mais ia voltar. afinal, no começo cada canto da cidade era um blur, e não sabia que ia voltar para cada canto conhecido, muito menos para londres, pra viver, tudo mais. voltei umas três vezes em 2009. e depois em 2011. e sempre sobrava um pouco do noodles vegetariano e eu pagava 50p mais pela embalagem e levava para casa pra comer no outro dia. agora não sobra nada! nos multiplicamos e comemos juntas o número 32. 
#sobretercrianças e dividir o prato de comida (ie a vida) com elas!

Três chamadas para uma complexidade

(abaixo estão trechos do texto, para fazer download da versão completa clique aqui)

Imaginar
Caminho pensando no tempo da vida neste lugar/espaço descendo e subindo as escadas entre os andares do curvilíneo bloco, onde antes se podia ter um escape para fora e agora tijolos de seis furos cobrem a vista por baixo do cimento espesso. O interstício vertical que prolonga a observação do percurso meio que perde a função na origem reificada. Como eu introduzo uma conversa por sobre essas camadas sujas da escadaria que leva do vão livre aos andares superiores? São os moradores que sobem e descem com mais intimidade do que eu, mesmo que eu tenha observado detalhadamente a espessura das linhas feitas nos idos da década de 40. Não só aquelas linhas precisas entre espaços fazendo paredes (os desenhos do arquiteto) como as rasuras que cobrem o palpável objeto de duplo apavoramento e maravilhamento refeito Pedregulho. Realidade visível e realidade projetada.

(…)
Coletivar
No deslinde do tempo do habitar um apartamento no prédio do bloco A, o Minhocão, o projeto de residência artística se torna reconhecer um movimento de memoração do projeto moderno por diversos vetores (privado, estatal, autônomo) e avaliar desde nosso lugar os modos como isso pode acontecer: que é que trazemos para o presente como herança desse período? A memoração sem dúvida requer seleção e reativação de diversas verdades que tecem a trama complexa do Pedregulho. Entender que o ponto inicial é não buscarmos uma utopia congelada nem vias de reproduzi-a ao modo vanguardista, e sim os seus contratempos. Aportar o que temos como próprio, a criação, e elaborar perguntas em direção àquela coletividade e às demais em formação, observando de que forma não nos perdemos nos desvios incansáveis das formas de captura, mas encontramos o tino da colaboração: há uma comunidade no Pedregulho, a mesma que estranha a chegada dos artistas, que espera a presença do Estado ou que a desconhece, e, talvez, a mesma que se envolve.

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Desejar
No final de semana de encontro com o grupo Frente 3 de Fevereiro tivemos um debate intenso sobre o que pode ser atuar no complexo, antes, artisticamente. Naquele momento o grupo promovia uma série de ações no Morro Santa Marta e realizava entrevistas com pesquisadores e ativistas de movimentos sociais abordando temas como racismo, democracia racial e exclusão. A pergunta que nos cabia como organizadoras do projeto seria: de que forma a residência artística promovia ali mesmo no Pedregulho uma ativação das questões que interessa ao grupo fomentar? Nos idos do debate percebi que informar a comunidade do Pedregulho da articulação ampla – considerando pensamento e ação era o mínimo que se deveria fazer como requisito para acontecimento da “residência”. “Informar” sem dúvida tomaria as formas de uma criação artística, que tivesse inteira a intenção de fazer pensar as condições de sociabilidade não só no edifício, mas na cidade do Rio de Janeiro. Por aí se descobriu o regime de controle sob o qual viviam os primeiros moradores e se pôde observar de outra forma a atualidade dos costumes no Pedregulho. A criação de um dispositivo relacional pautado em imaginação e conversa (sob o olhar inesquecido de uma câmera de vídeo, é claro), trouxe ao “Pedregulho” as estratégias de controle social em voga na cidade, tanto na cidade oficial como nas periféricas… Assim que a determinação de um pressuposto artístico não poderia existir sem a maleabilidade de uma atualização: é preciso saber onde se está e direcionar o desejo equacionado com aquelas vozes.
(…)

Leia o texto completo aqui
Texto publicado no livro-catálogo
Pedregulho: residência artística no Minhocão
Beatriz Lemos e Cristina Ribas (org.) ISBN 978-85-61659-04-2 Belo Horizonte: Instituto Cidades Criativas / ICC, 2010

Este texto foi escrito a partir do projeto Pedregulho Residência Artística